sábado, 28 de abril de 2007

Desvalorização

Desvalorizar, ridicularizar, são palavras certamente fortes, e ao mesmo tempo que denegrem certa imagem, ajudam a representar a verdade, de um Rio de Janeiro com perspectivas de Terceiro Mundo, muito longe do que uma praia do Leblon tenta representar. Não há dúvidas que me refiro ao Pan-Americano 2007, isso por que ele não é o único que se encaixa nessa breve descrição realizada por ambas palavras. Por elas se valhem o significado relacionado ao Futebol Brasileiro, com destaque ao craques aqui revelados e também as mulheres praticantes de tal esporte.

Este é um resumo básico, do que ouvi na palestra realizada pela revista Caros Amigos, trazendo a nós Juca Kfouri e José Trajano. Certamente tais palestrantes conseguiram me despertar a atenção quanto a tal desvalorização realizada no Brasil, que minha única palavra a se definir é "ridículo".

Palestra com Kfouri e Trajano.

Foto retirada do blog do amigo Victor Ferreira, http://artigodefinido.zip.net

Certamente que os cartolas conseguem cada vez mais denegrir a bela imagem do futebol Brasileiro, isso que eles não são os únicos culpados, o que posso dizer de Ricardo Teixeira presidente da CBF ? Provavelmente nada que não possua um xingamento entre as linhas. O futebol feminino cada vez mais esquecido, o Brasil se tornando cada vez mais "exportador de mão-de-obra do Futebol" - Juca Kfouri - e agora essa desgraça vivida pelo Pan-Americano, dinheiro nosso sendo gasto de maneira tão ordinária, da-me um rancor ao ver que nem com esporte esse país tem respeito !

Ainda gostam de ser piadistas e reclamar de por que a FIFA, não gostaria de nos ter como sede da Copa de 2014. Talvez não sejamos tão patéticos como eles dizem que somos, mas o mais difícil é acreditar que há quem ganhe com isso, pois eu só perco, cada dia mais, como admirador do esporte.

domingo, 22 de abril de 2007

Vamos passar Batom

Angustiante, fazia tempo que não sofria a ponto de querer chorar e não conseguir por puro orgulho. Acho que isso serve para definir meu último sabado, um pouco conturbado, cheio de aventuras e com um final nada feliz, afinal é a vida e não conto de fadas. Apesar de passar um pouco mais de 8 horas sob chuva, e ver meu time humilhado, posso dizer que valeu a pena, valeu para contar aos netos um dia quem sabe.



Rogério Ceni após derrota de 4 x 1 para o São Caetano. Fonte Uol.


Mas essa não é a questão, claro que o título é nada mais que uma pequena sátira do conhecido grito São Paulino "Vamos ser campeão". Não me importaria que algum torcedor de clubes adversários cantasse tal brincadeira, afinal ainda acredito que é isso que transforma o futebol em diversão, o divino prazer de fazer piadinhas na segunda feira no trabalho ou na faculdade. O veredicto é que esse refrão chegou aos meus ouvidos por causa da Policia Militar de São Paulo.

Acompanhado de mais dois amigos que vieram comigo ao estádio, ficamos em um ponto de ônibus quase que em frente ao estádio. E com a demora ficamos por ali a ver navios, notando cada coisinha que acontecia, alguns trombadinhas em meio a multidão, policia correndo para acalmar a balburdia, torcedores desanimados e claro, ao fim de tudo a própria autoridade cantando esse "belo" refrão.

Passado o tempo, após descansar um pouco, acordei e fui logo a cozinha, pois mesmo após uma derrota tenho a curiosidade de ler o que os jornais publicam. E como de praxe, na última parte do mesmo, havia algumas breves notícias sobre torcidas organizadas, com os mesmos argumentos de sempre, violentas, impedem famílias de ir ao estádio, etc. Tomei alguns goles de chá que logo surtiram efeito com a cafeína e me fizeram acordar a questão na mente.

Se a própria PM "detesta" torcida organizada, por que incitam a briga com os mesmos ? Talvez um pouco (senão muito) de falta de preparo ? Ou o fato de não terem uma educação previamente boa ? Mas a parte a qual quero chegar é muito simples. Como querer fazer acordos de paz se uma das partes quer sair ganhando e ainda tirando uma com a cara da outra ?

Falta de ética ? Talvez. Mas isso já é outra história, muito além do futebol mas muito perto do Brasil.

quarta-feira, 11 de abril de 2007

1000 gols e 1000 decepções

A leve lágrima de suor escorre rosto afora, o medo e a ansiedade se encontram, do mesmo jeito que Abedi se encontra com um jogador do time adversário. A falta é requisitada, mas o juiz faz sinal negativo com a cabeça e o jogo segue cada vez mais tenso. A multidão parece cada vez mais unida em coro a cantar, esperando pelo craque, esperando pelo milésimo, talvez a ponto de depositar todas as suas esperanças. O tempo começa a se esgotar, o inevitável parece cada vez mais próximo.

Em meio a toda a tensão e a um Maracanã em plena balburdia, o juiz marca uma falta, um velho senhor logo atrás de nós ouve os comentaristas rígidos para nossos ouvidos mas contentes com a marcação. É autorizado, a bola então viaja, passa entre a barreira, e repousa nas longas redes eternas do gol. Tão rápido que o estádio parece estar em choque, a essa altura ninguem se lembrava mais do que era um Gol 1000, o silêncio ecoa aonde milhares de torcedores gritavam no mínimo contentes com a classificação.

O Gol 1000 passa em branco, a desclassificação tenta dar uns dribles em nossas mentes e se esconder atrás da vergonha gigante do "milésimo", mas não adianta, o fato já aconteceu. E fica então me rodeando na cabeça a velha questão, até quando o milésimo vai trazer o desespero, ansiedade e más notícias como uma desclassificação ? Não que o milésimo seja uma coisa ruim, mas que por questões de princípios, valhe-me mais uma classificação do que um milésimo.

Espera, adia, prolonga, remedia e se obtém o resultado, seria mais facil pular para a última etapa, mas infelizmente é o nosso futebol, sofrer 1000 vezes hoje, para garantir 1001 alegrias amanhã.

Força Romário ! Sobreviva Vasco ...